Cap. 3. FUNDAMENTOS BIOLGICOS DO COMPORTAMENTO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Depois de estudar este captulo, voc dever ser capaz de:
explicar por que  necessrio o estudo dos fundamentos biolgicos para se compreender o 
comportamento;
 conceituar Psicologia Fisiolgica;
 nomear os trs mecanismos fisiolgicos do comportamento, indicando-lhes as funes e 
estruturas orgnicas principais;
listar os dez sentidos do homem, relacionando-os com o tipo de energia captada por seus 
receptores;
mostrar que n temos experincia direta do mundo descrevendo o proces so fisiolgico de 
recepo de estmulos;
mostrar que existem limites  experincia sensorial, referindo-se aos fatores que os 
estabelecem;
justificar a importncia dos msculos e glndulas no processo de ajustamento ao meio;
 nomear as trs grandes divises do sistema nervoso, suas subdivises e des crever suas 
principais funes;
 nomear e descrever as principais tcnicas de estudo do crebro;
 mostrar a importncia do crtex cerebral para o comportamento e rela cionar os lobos 
cerebrais com as funes de reas especficas do crtex.
INTRODUO
Por que razo um livro introdutrio  Psicologia dedicaria um cap tulo  anlise de 
fundamentos biolgicos?
Em primeiro lugar, porque o homem  um organismo biolgico e,
para que se possa compreender o seu comportamento, h necessidade
de se estudar, tambm, a base orgnica que permite a sua existncia.
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MECANISMO RECEPTOR
Para que algum se d conta da importncia dos fatores biolgicos sobre o comportamento, 
basta que reflita um momento sobre o efeito impressionante das drogas, observvel, na vida 
cotidiana.
O ramo da Psicologia que estuda a base orgnica do comportamento  chamado de 
Psicologia Fisiolgica.
A Psicologia Fisiolgica  o estudo do modo pelo qual as mudanas no interior do 
organismo (no funcionamento de glndulas endcrinas, por exemplo) levam a alteraes no 
comportamento (aes, pensa mentos, emoes, etc.) e, tambm, o exame da maneira pela 
qual o or ganismo reage  situaes psicolgicas como s emoes, aprendizagens, 
percepes, etc.
Esta caracterizao da Psicologia Fisiolgica d a idia de uma inte rao contnua, 
dinmica e mutvel entre eventos psicolgicos e fisio lgicos e permite perceber a 
interdependncia entre estes eventos.
No entanto,  preciso reconhecer, antes de mais nada, que o indivduo (animal ou humano) 
 uma totalidade e como tal reage. A diviso entre os sistemas fisiolgicos e psicolgicos  
feita por convenincia de estudo.
A anlise e experimentao fisiolgicas permitem compreender mui to sobre o 
comportamento. Um exemplo  o estudo fisiolgico levado a efeito sobre o fenmeno da 
fadiga psicolgica, nome dado ao cansao que sente a pessoa empenhada em uma tarefa 
rotineira, montona, por muito tempo. A explicao para este fenmeno revelou-se fora do 
mbito da fisiologia do organismo.
Da mesma forma, observou-se que mudanas eltricas ou qumicas em determinadas reas 
do crebro tm estreita relao com mudanas nos estados afetivos.
Assim, o estudo da estrutura fisiolgica e seu funcionamento con tribuiu de forma valiosa 
para a compreenso dos fenmenos comporta- mentais, quer humanos, quer animais.
MECANISMOS FISIOLGICOS DO COMPORTAMENTO
Pode-se compreender o comportamento como o produto do funcio namento de trs 
mecanismos fisiolgicos, a cada qual corresponde uma estrutura orgnica bsica.
So eles: o mecanismo receptor, constitudo pelos rgos dos senti dos e que tm como 
funo captar os estmulos do meio; o mecanismo efetor, que compreende os msculos e as 
glndulas e reage aos estmu los captados;e o mecanismo conector, constitudo pelo sistema 
nervoso, que estabelece a conexo entre receptor e efetor.
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Os Sentidos
Os rgos dos sentidos permitem a captao de um nmero incrvel de informaes, tanto 
do meio externo quanto interno.
Apesar de se continuar falando, popularmente, nos cinco sentidos, as pesquisas fisiolgicas 
identificam um nmero bem maior de sentidos no homem. Eles podem ser classificados em 
dez categorias: viso, audi o, olfato, paladar, tato, frio, calor, dor, cinestesia e equilbrio.
Esta classificao , at certo ponto, arbitrria, pois poder-se-ia lis tar um nmero maior de 
sentidos para o homem se se considerasse, por exemplo, a existncia de receptores 
diferentes para a viso (cones e bas tonetes) ou de receptores diferentes para os diferentes 
tipos de gosto (azedo, doce, salgado e amargo).
Os sentidos de tato, frio, calor e dor so chamados, em conjunto, de sentidos cutneos, e a 
cinestesia e equilbrio so os sentidos proprio ceptivos, em oposio aos demais, 
exteroceptivos.
De qualquer modo, porm, o homem tem muito mais do que cinco sentidos e, quem sabe, a 
pesquisa futura poder apontar algum tipo de receptor hoje desconhecido.
Os Receptores
O elemento que realmente define cada sentido  o conjunto de clu las receptoras 
especializadas. Cada tipo de receptor reage a um tipo di ferente de energia.
Assim, alguns receptores respondem  energia trmica, outros  energia qumica, ou 
luminosa ou mecnica.
Os receptores trmicos encontram-se na pele, os receptores qumi cos so os do paladar e os 
do olfato, os receptores da luz esto na retina dos olhos. Os receptores da energia mecnica 
so os da audio, da pres so (na pele), do sentido cinestsico e do equilbrio.
Os receptores cinestsicos esto localizados nos msculos, tendes e articulaes e 
informam sobre a posio dos membros e grau de contra o muscular.
Este sentido tem um importante papel na nossa adaptao ao meio. O caminhar, subir e 
descer escadas, dirigir automveis, so alguns exem plos de comportamentos que seriam 
impossveis sem ele.
Os receptores do equilbrio, tambm chamado sentido vestibular, esto nos canais 
semicirculares e vestibulares do ouvido interno e infor mam sobre a posio da cabea e 
movimento geral do corpo, permitin 
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do, assim, a manuteno do equilbrio, da postura corporal, dos movi mentos firmes.
Os receptores da dor, localizados em muitos rgos, reagem a uma grande variedade de 
estmulos trmicos, mecnicos e qumicos.
As clulas receptoras esto ligadas a fibras de clulas nervosas. Quando uma clula 
receptora  estimulada, a energia estimuladora  transduzida (transduo  o nome do 
processo de transformao de um tipo de energia em outro) em energia eltrica nervosa. Se 
a energia for suficientemente grande, originar um impulso nervoso que  transmiti do, 
atravs de vrias clulas nervosas, ao crtex cerebral ou a outra re gio do sistema nervoso 
central.
Esta descrio simplificada do processo de recepo de estmulos mostra que o tipo de 
experincia sensorial que temos depende do receptor estimulado e no do tipo de 
estimulao.
Por isso  possvel afirmar que no temos uma experincia direta do mundo, mas que a 
nossa experincia sensorial  decorrente da esti mulao, no crtex, de uma rea sensorial 
especializada, ponto de che gada de uma via sensorial especgica. Por exemplo, se um 
grupo de c lulas, no crtex, for estimulado atravs da implantao de eletrodos, a 
experincia sensorial decorrente pode ser visual ou auditiva ou outra, dependendo da rea 
que foi estimulada. Com exceo do alfato, cada superfcie sensorial do corpo  ligada a 
uma rea sensorial do crtez cerebral, especializada para um dos sentidos, no lado oposto 
do crebro.
Limites da Experincia Sensorial
 evidente que o nmero e a intensidade de experincias sensoriais dependero de muitos 
fatores, dentre os quais o bom ou mau funcio namento dos rgos dos sentidos.
Alm disso, o indivduo no toma conscincia de todos os estmulos recebidos pelos seus 
rgos dos sentidos. A ateno  o principais processo que determinar quais os estmulos 
selecionados para serem percebidos.
Os rgos dos sentidos, por sua vez, mesmo em perfeitas condies, tambm no captam 
todos os estmulos existentes ao redor do organis mo. Existem limiares, isto , pontos 
abaixo dos quais no h sensao. Em outras palavras, a energia precisa estar acima de um 
certo nvel de intensidade para que provoque um efeito sensorial ( o chamado li miar 
absoluto). Um exemplo comum  fornecido pelo apito de chamar ces, que emite um som 
inaudvel para o homem, embora audvel pa ra os ces.
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H tambm o limiar diferencial, isto , o organismo somente po der perceber diferenas 
nas intensidades do estmulo, se estas diferen as forem suficientemente grandes.
O ser humano criou instrumentos que lhe permitem ampliar sua ca pacidade receptora 
natural. O telescpio, o rdio, o microscpio so exemplos destes instrumentos.
MECANISMO EFETOR
As mltiplas estimulaes do meio levam o indivduo a reagir, para ajustar-se a ele. Neste 
processo de ajustamento, o comportamento motor e emocional tm um importante papel.
O comportamento observvel se d a partir dos efetores, ou rgos de resposta, que incluem 
msculos e glndulas, ativados pelo sistema nervoso.
grande a amplitude de respostas humanas possveis, desde a res posta reflexa imediata at 
os mais complexos comportamentos motores como correr, falar, escrever, etc.
Os Msculos
Os msculos estriados ou esquelticos so responsveis, de maneira geral, pelos 
movimentos voluntrios do corpo como o de levantar um peso do cho ou o de escrever.
Os msculos lisos, encontrados principalmente nas vsceras, artrias e veias, so 
responsveis, em geral, por movimentos no voluntrios, co mo a contrao ou dilatao 
dos vasos sangneos.
O msculo cardaco  o responsvel pelo funcionamento do corao.
Sendo os msculos os rgos dos quais depende toda a atividade do organismo (manter-se 
em posio ereta, falar, andar, digerir, etc.)  evidente a sua importncia no comportamento 
do indivduo, no processo de adaptao ao meio.
As Glndulas
As glndulas do organismo so classificadas em endcrinas (se lanam seus produtos na 
corrente sangnea), excrinas (se os lanam na superfcie do organismo ou em alguma 
cavidade) e mistas (se lanam alguns produtos na corrente sangnea e outros fora dela).
Assim como os msculos, as glndulas se constituem em mecanismos de resposta. Como 
exemplos, o organismo reage ao alimento, pro
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curando diger-lo, atravs da ao das glndulas salivares ou elimina substncias atravs 
dos poros cutneos, pela ao das glndulas sebceas ou sudorparas.
As secrees das glndulas excrinas (principalmente das lacrimais, salivares e 
sudorparas) so teis como indicadores observveis de esta dos emocionais.
So as glndulas endcrinas, entretanto, as de maior interesse para o estudioso da 
Psicologia. Lanando seus hormnios na corrente sangnea, estas glndulas promovem 
reaes globais do organismo, agindo co mo excitantes ou inibidoras de certas funes dos 
rgos e tecidos. Es tas glndulas tm ntima relao com as atividades motoras e 
emocionais do homem.
Um exemplo que demonstra claramente a relao mtua existente entre o funcionamento 
das glndulas endcrinas e o comportamento  o fato de o tamanho da glndula supra-renal 
influenciar a reao do adulto ao stress. Por outro lado, o tamanho das supra-renais pode 
ser modificado pela intensidade do stress a que  submetida a criana,
A supra-renal  constituda de duas partes: o crtex e a medula supra-renais. A medula, que 
 o ncleo da glndula, entra em atividade durante os estados emocionais, produzindo 
adrenalina que prepara o organismo para as emergncias. O crtex supra-renal segrega 
hormnios que regulam a manuteno da vida, tanto assim que a destruio do crtex supra 
renal produz a morte. Estes hormnios controlam ainda o metabolismo do sal e carboidratos 
do organismo. Estudos mais recentes apontam certa relao entre a atividade do crtex 
supra-renal e a doen a mental. Pacientes normais, quando tratados com hormnios desse ti 
po, apresentam sintomas semelhantes aos do doente mental.
As gnodas (glndulas sexuais) so responsveis pela determinao do impulso sexual, 
crescimento dos rgos sexuais e pelo desenvolvi mento das caractersticas sexuais 
secundrias.
interessante notar que no homem, diferentemente do que ocorre no animal, a castrao, 
aps o alcance da fase adulta, no provoca o desaparecimento das respostas sexuais. Parece 
que no homem, o sexo no , apenas, resposta hormonal, mas tambm pensamento e 
sentimento.
Os hormnios segregados pela tireide atuam sobre a atividade metablica das clulas. O 
cretinismo (condio fsica e mental)  resultante do hipotireodismo. O hipertireodismo 
pode provocar perturbaes no crescimento do esqueleto. O nvel de atividade de um 
organismo, a maior ou menor propenso  fadiga e o peso do corpo esto tambm 
relacionados ao funcionamento da tireide.
A hipfise (ou pituitria) compreende duas glndulas, a anterior e a posterior, com funes 
bem distintas.
A hipfise posterior determina o ritmo e o controle da mico. A hipfise anterior, 
denominada glndula mestra, produz diferentes hor mnios que, alm de influenciar no 
crescimento geral, regulam a ativi dade das demais glndulas.
Embora no haja uma relao direta entre produo de hormnios e a personalidade do 
indivduo,  evidente que o sistema endcrino desempenha destacada funo em nossas 
motivaes e emoes. Cada indivduo tem o seu prprio padro endcrino, assim 
diferentes pessoas normais podem ter diferentes padres endcrinos.
Deve-se acrescentar que o sistema endcrino no  o nico respon svel pelo controle do 
comportamento. O sistema nervoso e o meio ambiente tambm devem ser considerados.
MECANISMO CONECTOR
o sistema nervoso que estabelece a conexo entre receptores e efetores. Formado por vrios 
bilhes de neurnios que, na sua imensa maioria tm a funo de condutores, o sistema 
nervoso pode ser dividido, para fins de estudo, de muitas maneiras diferentes.
Uma maneira comumente usada  divid-lo em trs grandes partes:
sistema nervoso central, sistema nervoso perifrico e sistema nervoso autnomo.
Esta diviso, com as estruturas orgnicas que a compem, est representada no esquema 
abaixo.
Quadro 3.1. -- Divises do Sistema Nervoso
medula espinhal
central f
sistema nervoso
bulbo raquidiano protuberncia anular cerebelo mesencfalo diencfalo telencfalo
perifrico
conjunto de vias nervosas aferentes e
eferentes fora do sistema nervoso central.
autnomo
sistema simptico
sistema parassimptico
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Sistema Nervoso Central
A medula espinhal e o encfalo, envolvidos pela coluna vertebral e caixa craniana 
respectivamente, constituem o sistema nervoso central. Este sistema fornece fibras nervosas 
para todo o corpo (excetuando-se as vsceras, inervadas pelo sistema autnomo).
A medula espinhal estende-se da base do crnio  regio sacra, at
o cccix.
A medula , dito de forma simples, uma via condutora de estmulos e respostas. Tais 
respostas podem partir do encfalo ou dela mesma, como  o caso dos reflexos simples. A 
medula tem, entre suas funes, as de controle da mico, defecao, respirao e 
locomoo.
O encfalo , na verdade, uma massa integrada, nica e grande, mas que pode ser dividida, 
para fins descritivos, em seis partes principais: bulbo raquidiano, protuberncia anular, 
cerebelo, mesencfalo, diencfalo e telencfalo.
O encfalo pesa cerca de 1,360 kg no homem adulto e  maior na espcie humana, em 
proporo ao tamanho do corpo, do que em
qualquer outra das espcies animais.
A fig. 3.1. e o quadro 3.2., abaixo, procuram oferecer, de uma
forma simples e esquemtica, algumas informaes sobre as partes que
compem o encfalo.
Telencfalo
Corpo
caloso
Medula espinhal
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Fig. 3.1  Sistema Nervoso Central
Sistema Nervoso Perifrico
O sistema nervoso perifrico se constitui no conjunto de neur nios que vo dos receptores 
at a medula e ao encfalo (aferentes)
e ao conjunto dos neurnios que partem do sistema nervoso central
e vo aos msculos e glndulas (eferentes).
Sistema Nervoso Autnomo
O sistema nervoso autnomo  o responsvel pela ao da muscu latura e dos processos 
glandulares que de forma geral no esto sujei tos ao controle voluntrio.
Estruturalmente, o sistema nervoso autnomo pode ser dividido em dois: o simptico e o 
parassimptico.
A ramificao simptica atua durante os estados de excitao do organismo e age no 
sentido de dispender os recursos do organismo. Sua funo, em geral,  preparar o 
organismo para situaes de emergncia como as de luta, medo ou fuga.
A ramificao parassimptica, pelo contrrio, est em ao durante os estados de repouso, 
visa conservar os recursos do organismo.
Alguns rgos do corpo so ativados por apenas uma destas duas ramificaes, mas 
geralmente as estruturas abastecidas pelas fibras de uma delas tambm o so pelas da outra.
Em regra, as duas divises funcionam de modo antagnico. As sim, por exemplo, a 
atividade cardaca  aumentada como resultado da estimulao simptica e atrasada ou 
inibida devido  estimulao parassimptica.
Este antagonismo, entretanto, funciona de modo coordenado com vistas a restaurar e 
manter o estado de equilbrio normal do organismo.
O controle de ambas as divises do sistema nervoso autnomo parece estar localizado 
principalmente no hipotlamo.
Tcnicas de Estudo do Crebro
Costuma-se chamar, vulgarmente, de crebro, ao conjunto total de estruturas neurais 
localizadas no topo da coluna vertebral (mais corretamente, o encfalo).
O crebro , dentre as partes do organismo, a mais complexa e, provavelmente, a mais 
desconhecida.
Muitas tcnicas foram criadas para o seu estudo, buscando identi ficar as suas partes 
estruturais e as funes de cada uma.
As tcnicas anatmicas visam identificar as unidades estruturais do crebro e descrever as 
relaes entre elas.
Utilizando-se de recursos como os corantes e outros para observar os diferentes tecidos, a 
tcnica consegue um mapa neural onde aparecem, apenas, os grandes grupos de clulas 
nervosas que compem o crebro. Alm da enorme complexidade da interligao de cerca 
de dez bilhes de neurnios, h diferenas individuais entre os cre bros, fatores que 
dificultam a tarefa de descrever anatomicamente o crebro.
A tcnica do desenvolvimento tem como procedimento bsico a comparao entre a 
estrutura cerebral e o comportamento. Uma das maneiras de fazer isso  estabelecer 
comparao entre o desenvolvi mento do crebro e as mudanas no comportamento que se 
do no perodo de crescimento do indivduo. Outra modalidade da tcnica  a comparao 
entre a estrutura cerebral e os comportamentos de es pcies diferentes de animais.
Esta tcnica mostrou, por exemplo, que os lobos cerebrais temporais do golfinho so 
bastante grandes, o que corresponde  sua notvel aptido acstica.
A tcnica da remoo consiste em remover ou lesionar uma parte do crebro e estudar o 
comportamento anterior e posterior  leso. No ser humano, leses no intencionais tm 
permitido o emprego da tcnica que possibilita a determinao da funo das estruturas 
cerebrais.
A tcnica da estimu/aao (eltrica ou qumica) tambm permi te o mapeamento e 
informaes sobre o funcionamento do crebro. Descobriu-se, por exemplo, em 
experincias com animais, a existncia, em regies mais profundas do crebro, de centros 
neurais do prazer, da fome, da saciao, e outros.
A tcnica do registro eltrico (EEG), realizada com o uso de aparelho especial (o 
eletroencefalgrafo), amplia e registra as minsculas correntes eltricas que se do no 
crebro. A tcnica , comparada com a seguinte, relativamente grosseira, j que consegue 
registrar apenas a atividade eltrica de grandes conjuntos de neurnios. J usada para 
identificar fases do sono, leses ou tumores cerebrais, zonas de menor ou maior atividade 
neural.
A tcnica do registro por microeletrodos pode, implantando ele trodos minsculos at numa 
nica unidade neural, monitorar sua atividade e, com muito maior preciso, determinar as 
funes e estruturas neurais.
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O Crtex Cerebral
A importncia do crtex cerebral, fina camada (de 1,24 a 4,5 mm) de substncia cinzenta 
que recobre os hemisfrios cerebrais, justifica um item especial num captulo como este.
Calcula-se que o crtex cerebral  formado por cerca de nove bi lhes de neurnios 
interligados numa estrutura altamente complexa.
o crtex que coordena e controla as atividades mais superio res, mais especficas da espcie 
humana e dos mamferos superiores.
As diversas tcnicas de estudo do crebro determinaram que exis tem reas na superfcie do 
crtex que esto envolvidas nas funes sensorial e motora. Estas reas recebem o nome de 
reas projetivas. A figura 3.2. procura mostrar sua localizao nos hemisfrios cerebrais.
Fissura de
Rolando
Lobo Occipital
Fig. 3.2.  Lobos Cerebrais e reas Especializadas do Crtex
O crtex motor determina a movimentao dos msculos e o crtex sensitivo recebe 
impulsos que informam sobre a sensibilidade do corpo em geral (pele, msculos, 
articulaes e tendes).
Os centros motores e sensitivos da fala, viso, audio e outros tm localizao especfica, 
como mostra a fig. 3.2
A extenso da superfcie do crtex motor ou sensitivo  proporcio nal ao grau de 
complexidade do controle motor ou de sensibilidade dessa rea. Assim, por exemplo, as 
reas motoras e sensitivas corres pondentes  boca so bem maiores do que s 
correspondentes ao p ou ao abdomem.
As mesmas reas gerais do corpo que tm alta sensibilidade cut nea, tm tambm, altos 
graus de mobilidade e correspondentes reas corticais grandes. reas como estas so as das 
mos, dos dedos, da ln gua e dos lbios.
Alm das reas motora e sensitiva, as demais reas do crtex so chamadas de reas de 
associao porque se supe que devam ter uma funo associativa geral das informaes 
neurais.
O crtex e o crebro como um todo so, assim, o centro das ativi dades superiores 
conscientes como as de pensamento, linguagem, etc.
QUESTES
1. Como se justifica o estudo de fundamentos biolgicos numa obra de Psicologia?
2. O que  Psicologia Fisiolgica?
3. Quais s os mecanismos fisiolgicos do comportamento? Quais s suas estruturas 
orgnicas e suas funes?
4. Quais so os sentidos humanos? Que tipo de energia captam os seus receptores?
5. Descrever o processo fisiolgico da recepo de estmulos pelos sentidos.
6. O ser humano capta todos os estmulos sensoriais que o rodeiam? Por que?
7. Qual o papel dos msculos no processo de ajustamento ao meio?
8. Qual a relao entre glndulas excrinas e endcrinas com o comportamento?
9. Como costuma ser dividido o sistema nervoso? Nomear as estruturas orgnicas que 
compem cada uma das divises.
10. Quais so as principais tcnicas de estudo do crebro? Como se opera com cada uma 
delas?
11. Por que o crtex cerebral  considerado to importante na determinao do 
comportamento humano?
12. Listar as funes e as reas especficas do crtex responsveis por elas.
Lobo Parietal
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